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La Famiglia

por nokidsplease, em 30.07.15

Quando casamos não nos juntamos só com a pessoa a quem dizemos "sim". Para o bem ou para o mal essa pessoa traz, na maioria das vezes, uma bagagem. Essa bagagem pode vir em forma de crianças já feitas (cada vez mais comum) ou resumir-se ao tipico mãe, pai e eventuais avós e tios.

Pois que no meu caso, sem filhos a contabilizar, mon mari possui do seu lado uma familia algo... numerosa, digamos. E barulhenta, também, mas enfim. Eu, menina de familia pequena, que contava no total com 6 primos direitos (o número actual está infelizmente reduzido a 4) ia caindo para trás quando ouvi falar em mais de 30 primos do lado dele. A verdade é que achei tudo aquilo um pouco baguncento mas era o que havia e tive que me adaptar.

O pior foi perceber que era gente para gostar de fazer perguntas... e opinar acerca das respostas!

Estávamos casados há meio ano quando começaram as perguntinhas da praxe: "então e meninos?" Claramente, gente apressada!

A minha sogra, sabendo que eu não gostava de tais interrogatórios, tentava evitá-los. Acho que ela temia que eu, que sou torcida que chegue, mandasse o inquisidor passear com um: "Hás-de ter muita merda a ver com isso!"

Mas, com o passar do tempo, até a minha sogra começou a ter comichões no cérebro com o facto de a filharada continuar nula. E, quando comprámos uma casa maior, o frenesim aumentou e começou a ser tema recorrente em todos os encontros familiares. Explicar que tinhamos comprado a casa porque estavamos fartos de viver num apartamento, porque gostávamos de ter espaço exterior ou porque simplesmente nos apeteceu, parecia não ser motivo. O motivo tinha que ser encher os quartos de bebés!

Um dia, depois de mais uma noite a ouvir a minha sogra dissertar acerca dos netos que queria ter em breve, aborreci-me. Disse-lhe, com um sorriso claro, que estava um bocadinho cansada de a conversa agora ser sempre a mesma. Ela amuou um pouco, eu também... Mon mari falou com ela mais tarde e ela, muito sentida, disse-lhe que nós deviamos dizer-lhe se pensavamos nisso ou não para ela saber se podia ter esperança. Confesso que me caiu tudo... A minha capacidade de entendimento não chega para perceber porque raio devo eu à minha sogra (ou a quem quer que seja, já agora) explicações acerca do que penso ou não fazer na minha vida privada. Não percebi.

Mas ainda menos percebi quando uns dias mais tarde, em conversa com amigas minhas (já com filhos, claro) e comentando o sucedido, elas se mostraram perfeitamente compreensivas com a posição da minha sogra dizendo que era normal. Lamento, eu não acho normal. Mas o problema é meu, disso tenho a certeza!

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publicado às 17:01


Manual para lidar com amigas grávidas!

por nokidsplease, em 29.07.15

De há uns anos a esta parte a maioria das minhas amigas foi mãe. Há todo um ritual nisto de ter uma amiga grávida. E, mesmo quando não temos filhos, também temos que o cumprir sob pena se sermos excluídas para todo o sempre e rotuladas de cabras insensíveis.

Pois bem, aqui ficam os 10 mandamentos sobre tudo o que se deve (ou não) fazer quando uma amiga está grávida e/ou acabou de mãe:

1 - A aventura começa quando a vossa amiga decide contar a novidade. Normalmente em ambiente amigável, num jantar ou coisa parecida.

Ação: Abrir o melhor e mais afectuoso sorriso e dar os parabéns juntamente com um abracinho.

Notas: Se gostarem genuinamente da pessoa esta parte não custa porque estarão sinceramente felizes por ela. Se for alguém de quem não gostam particularmente a ação mantém-se e devem evitar a todo o custo tecer considerações sobre o futuro da criança. Nunca dizer "Coitada"! Nunca, jamais, em tempo algum... Não, mesmo que a pessoa não planeasse estar grávida e se queixe vagamente do assunto!

2 - Se por altura da novidade ainda não houver ecografia ela vai aparecer. Quando isso acontecer a vossa amiga vai colocá-la nas nossas mãos e dizer, com um ar absolutamente derretido, qualquer coisa como: "Olha lá o teu sobrinho".

Ação: Peguem na eco e observem-na, durante alguns segundos, com ar igualmente derretido.

Notas: Não tentem perceber e não digam que não percebem. Qualquer dos casos vai dar conversa para mais de meia-hora à volta da coisa.

3 - Quando a barriga se começa a notar a vossa amiga vai querer exibi-la. E vai querer que toquem na barriga para sentir os pontapés do "pirata" ou os pézinhos da "princesa".

Ação: Ponham a mão na barriga durante os segundos necessários. Afinal é só uma barriga esticada e, apesar de ter uma criança lá dentro, não é provável que ela aproveite o momento para vos saltar para os braços.

Notas: Se não se sentirem confortáveis com a situação passem a evitar a amiga nos próximos tempos. A coisa não vai melhorar tão depressa.

4 - Cada vez mais se instala a moda dos bayshowers ou festinhas para a despedida da barriga. A vossa amiga vai querer que participem até porque têm a esperança que, se vos afogarem em babycoisas vocês vão mudar de opinião acerca do assunto e fazer bebés para serem amigos dos delas.

Ação: Se não puderem escapar, participem. Afinal são só duas horas e vale a pensa ver a vossa amiga feliz.

Notas: Levem alcool, vão precisar.

5 - Quando a criança nasce, e dependendo do grau de proximidade, vão ser informadas por mensagens de texto sobre a hora, o peso e altura. Tipicamente a mensagem é escrita pela criança que acabou de nascer e já manda SMS. No fim da mensagem é deixada uma breve nota acerca do estado de saúde da mãe e do aparvalhamento do pai.

Ação: Respondam à criança. Qualquer coisa como "Olá bebé". Resulta e deixa os papás nas nuvens.

Notas: Não comentem o rídiculo que é mandar mensagens em nome de pessoas que não sabem sequer como se chamam. Podem ser altamente mal interpretadas.

6 - Se forem amigas próximas impõe-se a visita à maternidade. Não é uma visita fácil e há que ter cautela com tudo o que pode ser dito neste momento de grande sensibilidade. Além disso estejam preparadas para ver a criança a abocanhar as mamas enormes da vossa amiga. E não pensem que levar os vossos maridos vos poupa a esta visão porque nesta altura mostrar as mamas deixa de ser um problema.

Ação: Comprem flores e olhem a vossa amiga nos olhos. Sempre que o olhar se desviar para as mamas foquem-se. O vosso marido pode ter maiores dificildades e para isso o ramo de flores pode dar jeito.

Notas: Preparem-se para a descrição exaustiva do parto. Sim, exaustiva!

7 - O pós-parto pode ser complicado e as vossas amigas podem precisar de carinho e atenção redobradas. Em todo o caso não é boa ideia abancar lá em casa porque a mulher está mais morta que viva e o pai ainda não percebeu que a vida dele nunca mais será a mesma.

Ação: Apareçam se forem convidadas e levem comida!

Notas: Não levem alcool, não pensem que a visita vai descambar numa noite de poker até às tantas. Isso acabou!

8 - A cada visita, a vossa amiga vai querer que vocês peguem no bebé. Isso vai acontecer e não vale a pena fugir. Ela vai querer tirar fotos e dizer-vos que vos fica tão bem.

Ação: Alinhem até onde conseguirem. Não pegar na criança pode ser motivo de exclusão. Se a criança começar a chorar façam um ar de pânico e digam que não têm jeito nenhum e que a culpa é vossa. Se não começar a chorar... belisquem-na ligeiramente.

Notas: Se forem como eu podem sempre dar a desculpa que sofrem das costas (que é verdade) e que não podem estar com a criança ao colo muito tempo.

9 - Agora que a coisa está a entrar nos eixos as vossas amigas têm finalmente tempo para voltar a olhar para o espelho e perceber o que a maternidade fez ao corpinho de sereia que até ali exibiam.

Ação: Oiçam-nas. Mostrem-se solidárias. 

Notas: Nunca, jamais, em tempo algum, se comparem com elas! Elas vão odiar-vos se o fizerem e, convenhamos, não é justo.

10 - A criança está a crescer, tudo corre bem, voltaram às jantaradas e às noites de poker e tudo parece entrar nos eixos. Até que, um dia, a vossa amiga, anuncia que está grávida outra vez!

Ação: Fechar a boca e ir apanhar o queixo ao chão.

Notas: Ver os pontos de 1 a 9!

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publicado às 16:20


Beijinhos

por nokidsplease, em 29.07.15

Não sou a tia dos filhos das amigas. Embora elas insistam em chamar-me tia. Em dizer aos putos: "olha a tia, vai lá dar um beijinho". E os putos vêm com um ar aborrecido e todos lambuzados e eu tenho que fingir que gosto de beijos colantes e de ficar com as bochechas a molhadas. Não gosto! Acredito que haja quem ache um doce, mas eu não acho e custa-me que as pessoas não percebam isso... e insistam!

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publicado às 16:02


O começo

por nokidsplease, em 29.07.15

O começo é sempre difícil. Achamos que somos estranhas quando dizemos que não queremos ter filhos e, invariavelmente, temos que levar com o sorriso condescendente dos que nos ouvem: "ah, tu um dia mudas de ideias". Isto começa na adolescência. E nós até achamos que mudamos... afinal temos a vida pela frente.

Depois crescemos um pouco mais, vem a faculdade, os namorados mais a sério e fala-se do futuro. E nós continuamos a achar que, tudo muito certo, mas filhinhos não fazem parte do plano... e lá vem a mesma resposta: "ah, tu depois vais querer". E nós a ver que não mas a continuar a ter esperanças que sim.

Um diz conhecemos o tal, aquele que nos leva ao altar, aquele a quem confidenciamos que não queremos filhos e que se ele quer muito talvez seja melhor seguir outro caminho. Ele resiste diz que nos quer, com filhos ou sem eles, e que depois se verá. Na volta o relógio biológico toca e vamos ser nós a querer parir criançada. E achamos que até pode acontecer, afinal aconteceu com tantas amigas nossas...

Depois casamos, e nos primeiros tempos a coisa faz-se bem, quer-se aproveitar a vida e diz-se à boca cheia que não queremos filhos "para já". Se não completarmos a afirmação com estas duas palavrinhas somos automaticamente encaradas como bichos raros. E começamos a achar que efectivamente somos bichos raros, e sentimo-nos sós e, apesar de o nosso marido não pressionar, perguntamo-nos se o fazemos feliz. E não lhe perguntamos porque temos medo da resposta.

Os anos passam, o relógio não toca, a vontade não muda. E pensamos que se calhar está na altura de assumir e gritar ao mundo que não queremos filhos e que estamos fartas de ser olhadas como aberrações!

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publicado às 12:30


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